sexta-feira, 30 de julho de 2010

“Quem quer um emprego um emprego pra só fazer nada, quem quer compromisso sem ser de nada?”

Estou acordando cedo quase todos os dias, meu trabalho vagabundo começa. Vou pra frente do pc, ainda de pijama e sem escovar os dentes, a xícara está até a borda de café quente, no cinzeiro o primeiro, o segundo, o terceiro cigarro do dia, e as musicas que eu gosto estão tocando nas caixinhas de som.
Da mesa do pc uma bela vista para a estante de bebidas alcoólicas.
Aparece o primeiro cliente, e eu não gosto da índole dele. Começa o desenho animado no qual eu paro todos os meus deveres pra assisti-lo.
Olho todos os dias as mesmas fotos, bate as mesmas nostalgias, então fico pensativo e confuso, minha mãe chega da academia e meu irmão dorme até as 11 da manhã. Olho para o celular e penso em ligar pra qualquer pessoa só pra não me sentir sozinho com meus pensamentos, mas a maioria dos meus amigos são alcoólatras como eu, todos os dias eles tem uma bela noitada. No meio do dia pego mais café e vou para frente de casa. Olho os Pms entrando e saindo do quartel. A vizinha evangélica me olha e eu dou “bom dia” e ela responde com um sorriso de “daqui a pouco ele vai pegar uma dose de pinga e ir pro quarto e ouvir alto as mesmas musicas”. As crianças vêm pra comprar bombons, então sai o almoço, e eu já estou no quarto perturbando os vizinhos com as musicas altas, até pegar no sono.
No final da tarde coloco uma roupa, coloco algumas coisas na mochila, vou pra geladeira pego uma cerveja e caio pra rua, meu pai me olha e diz “-esse veado vai chegar embriagado novamente”. Dou um beijo na testa da minha mãe e digo que voltarei tal horário, mas faço tudo errado.
Encontro os amigos e temos uma noite de rara beleza, se embriagando até tarde da madrugada, depois volto pra casa como um cachorro sem dono e sem pudor.

E quem disse que isso também não faz parte do meu show?