segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A visita


  


Então Donald vem me visitar.
Entre café e cigarros falamos um monte de coisas inúteis.
Entre musicas e papo, outro cigarro.
Falamos da vida alheia e das nossas também.
Falamos mal de política, futebol e policial.
Quando cansamos de café passamos para o chá.
(…)
Alguns centímetros o sol queima a rua.
Machucando minha visão de quem acabou de acordar.

Eu:
- Então me conte alguma coisa pra me deixar feliz?

Donald:
- Ela!

Eu:
- Ela quem?

Donald:
- A “Ghlads”!

Eu:
- Hum, sonhou com ela de novo?

Donald:
- Ahan.

Eu:
- Legal. Perae os filhinhos insuportáveis da vizinha estão querendo comprar bombons.

Donald:
- Tu não gostas de crianças?

Eu:
- Gosto, mas não tenho paciência.
 
Donald:
- Tu é muito estranho.

Eu:
- no duro? Então me conte outra novidade?!
(...)

Então passamos horas falando 
sobre relacionamentos, dinheiro, problemas e trabalho.
(...)

Eu:
- Amigo, ainda to com sono.

Donald:
- Velho, tu engravidou alguém?

EU:
- Não. Por quê?

Donald:
- Tu vive com sono.

Eu:
- Não engravidei ninguém, pois odeio sexo.

Donald:
- Ai bicho, tu é gay?

Eu:
- Só porque eu não gosto de sexo, não quer dizer que eu não goste de garotas. Então pega mais café, estou falando com ela pelo msn.

Donald:
- Humm... Rum, Rum, ta afim mesmo dela, né safado!

Eu:
- Pega mais café, que só mais um pouco eu durmo aqui.
(...)

E nós insistimos no mesmo jogo de tabuleiro que vive se tratando bem ou mal.
Fazendo planos toscos pra sair da rotina.
No fim da tarde vamos à praça tomamos uma cerveja.
E começamos de novo a mesma conversa que tivemos no inicio do dia.
Mas não temos outra coisa pra fazer.
Não temos outros assuntos pra falar.
Não temos outra coisa pra tomar.
(...)

E agente sempre se perde.
Na parte mais idiota e monótona desse filme que a gente sempre conversa.
Sentados na praça, no meio da multidão.
Estamos calmos de mais pra correr como as outras pessoas.
Nos sentindo jovens de mais pra começar a correr.
E mais um dia passa sem dizer adeus…