segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Às vezes é isso!



Sigo em frente protegendo o rosto.
Às vezes eu olho pra trás.    
Quase sempre.
É assim desde cedo...
Sei aonde eu vou.
Mentira! Caminho sem rumo.
Caminho fingindo saber o rumo a seguir.
Geralmente sempre vou pelo caminho errado,
Mas acabo no lugar certo.

Sendo assim, sou como um imã.
 Sempre puxado para um lado.
Uma atração natural.

Tento fazer as coisas certas.
Às vezes saem erradas
E eu fico encantado,
Mas só de vez em quando.
A beleza pecaminosa me encanta.

Viro a garrafa de vinho pra banhar a garganta.
Johnny Cash continua cantando Hurt,
Mas as pessoas, os carros e os bares
Fazem com que eu não entenda uma nota da musica.

Levanto e caminho pela orla.
Não consigo assisti televisão
E eu me sinto mais leve.
E o mundo não parece mais ser
Como a Tevê mostra.

Penso mil coisas ao mesmo tempo.
Não choro.
Não grito.
Falo só.
Não me olho no espelho há muito tempo.
Meu olhar perdido não mostra que há algo errado.

Tem dias que passo o dia todo deitado na cama.
Escrevo um pouquinho.
Olho meu reflexo no espelho.
Um reflexo meio borrado.

Do cigarro resta um trago.

E do vinho resta apenas o seu gosto barato.

domingo, 10 de novembro de 2013

Sobre a certeza da incerteza

Eu nunca consigo seguir o caminho pela mão certa.
Agora eu confesso: vivo me arriscando e acho que estou certo.

- E você gostaria de viver com alguém que pense assim? –Perguntei para Amanda.
- Se eu não gostasse já tinha te largado há tempos.  –Me respondeu com o ar de tédio que só ela tem.

Amanda e suas horríveis manias de querer saber tudo sobre a minha vida. Ela mal sabe feia é a minha mania de complicar tudo deixando as coisas passarem despercebidas e, as vezes  eu finjo não ver. Varia, depende do meu estado.

- E você iria querer? – Perguntou enquanto me fitava deitado no sofá.
- Não por muito tempo. –Respondi.
 Minha vida é uma tortuosa contramão, eu espero que os carros comecem a desviar e parem de me acerta como sempre.
- Você entendeu certo? –Questionei.
Do que você está falando? –Retrucou meio irritada.

Penso...

- Não sei. Só sei que é assim.

Não posso explicar uma coisa que mal entendo.
A roleta russa da certeza.
Besteira é não ter duvidas.
Alguém saiu e me deixou gritando dentro do quarto.
Mas eu consegui me adaptar com aquele lugar tão úmido e abafado.
Ainda sim continuo me tornando enfeite de jardim.
- É bem assim. –Conclui.

E eu que volta e meia acredito nas minhas mentiras mais verdadeiras que não me deixam dormir durante dias.
Olho pela janela. Outra janela.
-Então é isso? –Ela me questiona.

Nunca consigo ficar parado no mesmo lugar por muito tempo.
Não consigo mante o foco por muito tempo.
Acho que o problema é o alcoolismo.
Nenhuma certeza.
Nenhum “ismo”.
Utopia que nunca chega!

Apenas corro. Corro pela contramão.
Vez ou outra eu recebo uma multa.
O cheiro da terra me acalma no inicio da chuva.
- Acho que sim respondi. –respondi.

Às vezes pego carona.
Poucos param pra mim.
Não me importa,
Prefiro quando é assim.
- O que tu achas? –Perguntei.
- O que?


E uma duvida que realmente não terá certeza.