segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Amor Estúpido


Amores estúpidos? Não tive muitos. Mas as piores são as militantes feministas. “Feminazi.” Eu usava esse termo em toda e qualquer discussão. Não por maldade, e sim por pirraça.
Ela se achava o máximo indo à marcha das vadias mostrar os seios e escrever  “Meu corpo. Minha regra”

No meu apartamento não tinha televisão, e isso me fazia bem. Sou o tolo da família. Sai tarde da casa dos meus pais, casei tarde, mas tão tarde que ainda não sei como é a vida de casado. Minha mãe diz que casamento é uma instituição falida. Apesar de me influenciar bem pouco com as ideias dela, tive que concordar. Já meu pai diz que os meus romances não faze sentido. “como diabos uma garota pode andar de mãos dadas com uma pessoa como tu?”

Voltando ao assunto dos amores estúpidos: lembro-me da vez em que bebíamos no bar que fica em baixo do prédio onde eu morava, estava eu a Manu, minha querida militante feminista, Edson, o vizinho do apto 7, e a sua esposa e outras pessoas em mesas aleatórias.  Eu estava fazendo muitas piadas sexistas apenas pra provoca-la.  Às vezes uma semana de convivência é o bastante pra uma mulher transformar a vida de um homem em um inferno.


- Se você quiser ficar comigo tem que parar com esse teu sexismo. – gritava ela.
- Ah foda-se! Foda-se tu e esse teu feminismo. –Eu retrucava rindo de canto.
- Deixa de ser arrogante! Deixa de ser arrogante a mulher tem tanto direito com o homem.
- Cala a boca, sua puta! Quem é tu pra falar o que eu devo ou não fazer?
- Me respeita! É assim que você fala com a tua mãe?
- Não. Não há comparação entre você e a minha mãe!
- Como não?

- Lógico que não. Minha mãe não chupa o meu pau e nem pede pra eu gozar na boca dela.

Nesse momento já tínhamos tomado toda a atenção do bar. Os clientes, o garçom, a cozinheira, a dona e o seu marido, o vendedor de ovo de codorna, o vendedor de bombons, o casal que dividia a mesa conosco. Todos esperando o desfecho da discussão quando ela joga cerveja na minha cara.

- SUA PUTA, TA PENSANDO QUE EU SOU QUEM, FILHA DA PUTA? –gritei enquanto me levantava.
Ela se encolheu como uma criança amedrontada.

- SUA ARROMBADA! TA PENSANDO QUE EU SOU AQUELES IDIOTAS QUE TU FAZ DE GATO E SAPATO, POR AQUI PELA ORLA? –Eu gritava como um pastor.

Gritava, rosnava, amaldiçoava, xingava e todos assustados com aquele pequeno show que agente dava. Até que o Edson me levou pro meu quarto e ficava falando algo do tipo “ah cara, tu é muito doido”, “Porque você estava falando aquilo pra ela”, “Acho que a D. Selma vai te despejar daqui”. Enchi um copo pela metade de Old Eight e acendi um cigarro. Estava com ódio no olhar. Ele se serviu e continuou lá falando. Eu queria joga-la da minha janela. Depois de alguns minutos ela aparece lá no quarto pedi pra ficar a sós comigo.

Lembrei-me de todas as outras garotas que briguei e no fim acabou bem e tranquilo. Pela primeira vez eu queria matar uma mulher.

- Estou disposta a te perdoar e passar uma borracha nesse episódio.  –Ela me perguntou.

Lembrei  da teoria do café, álcool, personalidade e cigarro. Tomei um belo trago de Old Eight e virei as costas pra ela, fitando a escuridão do Sesc Araxá. Ela veio e me abraçou pelas costas beijou meu pescoço. Não havia o gosto do Vinho Imperador, não sentia graça ou medo da bala e nem me vi na terceira pessoa.

Não poderia haver e nem há como surgir qualquer tipo de amor em uma semana de relacionamento. Uma semana não é o bastante para uma pessoa dizer pra outra que o ama.

- Desaparece da minha frente. –eu disse com um tom sério.

                Ela sumiu como o meu sono depois de um pesadelo. Eu me acostumei com a solidão. Estava feliz por ter adquirido mais um romance estupido, eu era o esboço de uma teoria falida.
Velho Buk me ensinou o bastante sobre tal assunto. Ela não foi a primeira a fazer isso e nem a ultima.

Ela estava arrumando suas coisas.
Não senti o gosto amargo do doce.
Ela estava com uma blusa vermelha.
Saia vermelha, seus cabelos eram vermelhos.
E em poucos minutos a feminista se foi chorando e bêbada.