sábado, 26 de julho de 2014

MTD, o que aconteceu?



Segui caminhando.
Essa cidade não é mais como antes.
Ninguém é como antes.
Acho que ela me perdeu.
E eu estou perdendo-a.
As paradas de ônibus estão abandonadas.

Os urubus brincam pela praça,
Sinal de que a cidade ficou imunda.
Até mais do que eu.
Será que o Régis ainda vende aquele
Hambúrguer podrão?
É um hambúrguer bom pra caralho.
Só perdia pro Hot dog da lanchonete do Vizinho.
Pena que foi o apelido que demos pro Gringo,
Ele contava umas piadas sem graça,
Mas ele era engraçado e bacana,
Vendia fiado pra gente.
Não conseguimos mais comprar fiado 
Por que ele foi pro Ceará, junto com seus filhos.

Passava nessa rua todo dia.
Tudo está diferente.
Os apartamentos viraram lojas,
E as lojas viraram restaurantes.
Olho o bar do Japão, desde que ele entregou
O ponto, esse local trocou mais de dono
Do que eu de casa.
Quando eu era criança, esse bar era uma sorveteria.
Tinha um aquário.
Meus pais sempre levavam meus irmãos e eu lá aos domingos
à noite.
Comíamos pizza e tomávamos sorvetes, e íamos embora pouco depois.

Uma mulher em frente de sua casa passa me olhando.
Acho que depois fofocará com as vizinhas.
16hrs da tarde. Acho que é hora de uma cerveja. 
Melhor não.
Madalena do outro lado da rua.
Não me vê.
Essa velha, não envelhece.
Desde quando me entendo por gente as mesmas rugas.
Ela vive pra cima e pra baixo.
Sempre sai no mesmo horário.

Em seguida passa uma garota.
Nunca a vi antes.
Bonita, belos seios.
Sorriu ao celular.
Sorriso branco.
Tão bonita que deve ser chata pra caralho.
TPM, contas, chifres e brigas.
Seu olhar denuncia a personalidade.

Um senhor que está bebendo lá no bar do Raimundão
Também a olha.
Entro e peço uma cerveja. 
Mudei de ideia.
O senhor me olha.
Ignoro-o olhando para o copo.
No copo não houve hambúrguer, sorvetes,
Fofocas, garotas ou urubus.
Só havia o reflexo de uma canção que não 
Queria mais lembrar.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Casos do Acaso (1/7): Tempestade, TV, chuva, pizza cerveja.

                 
                  Aquela quinta-feira tinha sido longa e intensa. Persistência depressão ao estilo Joy Division. Resolvi que na sexta seria um pouco diferente. Decidi fazer umas compras. Pizzas, cervejas, sorvete, filmes e sossego. As nuvens avisavam que ia chover. Eu, por minha vez, queria apenas passar a noite bebendo e comendo enquanto assistia TV.

                A chuva começou a cair naquela cidade amaldiçoada pelos piores suicídios, homicídios e corrupção. Durante a noite consegui ouvir a chuva cair nas arvores, na calçada e no telhado. Desmaiei antes que começasse o maldito programa do Jô Soares. Acordei no fim do programa. Olhei pra TV e começou um programa de esportes. Decidi colocar em algum canal evangélico. Sempre adorei o Teatro do apostolo Valdomiro, mas não fiquei muito tempo por lá, fui migrando de um canal pro outro. Queria assisti algo mais emocionante. Uma caçada inútil.

                Apenas series e filósofos estelionatários com seus livros de auto-ajuda de bolso, esportistas. Insônia surgiu enquanto a chuva desabava lá fora do meu aquário. Há poucos dias tinha terminado o relacionamento mais longo da minha vida até agora. Eu, a TV, o colchão, o ventilador, a geladeira e o fogão. Decidi comer mais e beber mais. Decidi tomar três rivotris e acabei dormindo.

                Acordei cedo, com a sensação de que tudo ao meu redor era pá e nada funcionava e nada funcionava como qualquer outra coisa. A chuva ainda desabava  Decidi fazer um café e fui pra varanda com o café e um lençol. Saudades de minha mãe nessas horas. Celular toca.
-Oi Ana. Falei com um tom sonolento.
-Ta bem? –perguntou.
-Normal.


                Conversamos as futilidades da vida, sobre projetos futuros e devaneamos coisas sem nexos. “O mundo é uma tempestade.” Disse ela rindo. Concordei. Nunca esquecia isso. Nem quando me sentia em paz.

terça-feira, 20 de maio de 2014

No final é sempre a mesma coisa.


No final é sempre a mesma coisa.
A historinha acaba sempre do mesmo jeito…
Sapatinho branco em todos cai bem...
Vai ver é assim mesmo.

Conheci Arlene em uma dessas festas no qual não fui o centro da atenção, mas tava no apoio.
Estava me desdobrando entre piadas, risadas e estórias.
Quem estava lá ouviu o caso da cadela cega que sempre caia na vala quando ouvia passos de gente.
Estava pátio fumando um cigarro quando ela me cumprimentou.
Nos apresentamos e ela disse que já me conhecia, já tinha ouvido falar de mim.
Minha fama chega sempre antes de mim.

Disse que acompanhava o meu blog e meus zines e gostava do que lia. Disse também que eu precisava mudar de vida ou algo do tipo.
Coitada.
Mal sabia ela.
Quem nasce rei nunca perde a majestade.
Quero distancia dessa gente meio Deus. Que fica tentando te moldar. Mas eu queria ver até onde aquilo ia chegar.
- Posso te sugerir uma coisa? – continuou ela.
- Pode! –respondi. 
Ela me deu um beijo e eu retribuí.
- Quero que você escreva sobre mim. –disse ela
- Mal te conheço, mas tem atitude. Gosto de mulheres assim.
- Entendo. Isso faz com que você não precise lutar contra a timidez pra chegar numa garota.

Até hoje desconfio que ela faça parte da laia do Dr. Ab, ou então ela andou fazendo o dever de casa através do que escrevo. Pensei. Bem, se ela me conhecia tão bem, então sabia que havia um risco de eu ligar pra ela no outro dia se tudo saísse bem.
- Vamos voltar lá pra dentro. Eles parecem divertidos.
- Oh, sim. Vamos. –disse eu com um ar de tédio.

                Entramos e nos separamos, fui logo à mesa encher meu copo. Vodka seguido de um vinho e por fim a cerveja. Estavam todos dançando. Poucas horas depois todos estavam bêbados. Inclusive Arlene e eu, quando ela me puxou, começamos a nos beijar e a nos acariciar e a nos tocar. Joguei-a no sofá e fui pra cima. Estava com uma blusa de botão e ela foi desabotoando. A intenção era fazer ali mesmo. Ficamos nas preliminares por muitos minutos e todos ali dançavam e gritavam. “Ritual de acasalamento? Vai saber.” Pensei. Volta e meia alguém me puxava pelos cabelos e despejava bebida na minha boca ou me dava um trago de cigarro.

Percebi que aquilo não ia mais além, era furada e decidi parar por ali mesmo. Peguei uma cerveja abri e tomei um gole. Esse gole me fez vomitar ali perto de onde o Dudu estava desmaiado de bêbado. Fui pro pátio, tomei outro gole e acendi um cigarro. Arlene chegou segundos depois.
- Qual o teu problema, porra? –Foi me questionando muito revoltada.
- Todos, ora essa. –disse eu com uma cara de bêbado que tinha vencido o cinismo.
- Teu problema é que você não leva as coisas a serio. Por isso que vive sozinho nessa vida chula.
- Não levo uma vida chula. Quero dizer... Essa noite foi bastante chula depois que nos conhecemos.
- Por isso que tu vai morrer só.
- Óbvio. Nascemos sozinhos e morreremos sozinhos. É uma das leis básicas da vida.
- Idiota!
- Foda-se!


                Terminei a cerveja e joguei a garrafa no jardim. Entrei, peguei outra cerveja e sai sem me despedi das pessoas. Olhei a hora. Não tinha mais nada naquele horário pra mim. Segui caminhando cheguei em casa liguei a TV. Dormi. Acordei doente. O nome da doença era ressaca.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Natureza humana.

               

                Não é que eu goste das pessoas: Eu gosto das pessoas no qual me identifico.
Pois, a meu ver elas são boas, por mais horríveis que elas sejam. Porém, elas me furam e me cortam como as arvores e as flores.

                Lembro que eu sempre ia com meus pais pra um balneário, e o dia era tão natural, menos o que meu pai e os amigos da família bebiam. Sempre eu via os Eucaliptos que a Jarí plantava pra produzir celulose, às vezes rodávamos toda a região e eu cochilava entre eucaliptos e florestas virgens.

                Merda! foi em um desses passeios felizes com estradas entediantes que fiz meu primeiro poema. Meu pai guiava o carro enquanto no toca fita rolava Alceu, Fagner e coisas do gênero. Escrevi sobre nunca beber na frente dos meus filhos e ter aquele nirvana de patriarcal.

                Na época eu não pensava no futuro, assim como não penso agora. Porém, tudo era mais fácil. Meu pai sempre chegava sóbrio e sempre voltava bêbado, porém era bastante legal comigo e meus irmãos. Passávamos o dia todos felizes naturalmente: Água natural, piadas, risadas, paisagem. A única coisa que fodia ali era a porra da bebida: Está certo! A bebida é o maior relaxante pra uma conversa sincera, assim como os passeios entre florestas nativas e eucaliptos. Risadas e mais risadas. Bebidas e mais bebidas. Churrascos e mais churrascos.

                Tudo bem. Eu gostava das risadas. Eu não queria as merdas das bebidas, não queria aquilo pra mim, apesar de achar legal.
Em um desses passeios, joguei um copo descartável no chão e meu pai me perguntou:
- É isso o que você quer?
Olhei nos os olhos dele e não respondi.
E então ele disse: 
- Um dia isso vai voltar pra você, e todo o lixo vai vir em dobro, e você vai se adaptar como a floresta. Um dia você vai olhar pra traz e vai dizer “Que merda!”.
Eu tinha uns 10 anos na época, obviamente perguntei.

E ele continuou: - Você vai vivendo e vai absorvendo tudo isso. Um dia estará em uma cidade grande inalando todo o lixo dos carros, das pessoas e etc. Vai querer ter uma casa no 12° andar de um edifício só pra ver o mundo aos seus pés. Você fará questão de pagar alto. Você vai querer indo, dependo da sua condição. Existe uma coisa chamada inflação e imposto. você pode ter um carro um e pagará caro por ele. Você terá uma casa e pagará caro por ela.  Os teus brinquedos são mais caros do que deveriam, a nossa alimentação e baseada por imposto e inflação. Uma pizza tamanha família deveria ser 10 reais, mas são 12. E a sua coca deveria ser 50 centavos, mas é 1 real. E no fim das contas temos que agradecer a deus por sermos tão babacas.

Obviamente não entendi muito, mas entendi que não queria poluição e nem lixo e nem agradecer a Deus por sermos tão babacas.

Tem gente que ama isso! Mas qual a diferença? Depende do otário que queira adorar. Viva com dando as gorjetas e os impostos e os obrigados pra quem te fornece as coisas. Eles só vão dizer que é de nada, afinal eles só estão sobrevivendo como nós. Mas depois do que meu pai me disse, guardei o meu lixo e esperei até chegar em casa.

O que eu escrevo aqui não significa nada, a menos que queira mudar o lixo no qual você vive.

Foda-se! Muda séculos, décadas. E você não pode mudar um pouco do que é a sua vida? Qual a diferença? A diferença é você! Aqui estamos de volta a minha infância.  

quarta-feira, 5 de março de 2014

Futura ex-namorada


Acordei com o canto dos pássaros.
Nanda dizia que eu era o melhor pra ela.
Lembrei da simpatia do João Bidú.
Ela colocou algumas fotos na parede.
Disse que ainda era muito cedo pra morar comigo.
Um passo por vez.
Sua felicidade estampada em cada foto.
-Que saco.

A teoria do chato.
Ela disse algo.
Eu continuei calado.
A janela aberta..
O vento bate.
Ela está muito feliz.
Quanto tempo essa felicidade vai durar?
Ela me beija.
Me chama de benzinho.
Sua camiseta branca.
Sua pele rosada e macia.
Tão bela.
Costuma fumar sentada na janela.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Escondendo-se na gaiola



Sim, eu sei.
Ainda tenho um problema pra me readaptar.
Talvez seja você.
Talvez seja mesmo eu.
Talvez seja a vontade de continuar.
Mas prefiro esconde-lo.
É o melhor que faço.

Bem, eu não sou quem quero ser.
Às vezes estou eufórico.
Mas prefiro esconder.
Você percebe do ponto de vista específico.
Não há nada interessante outra vez.
E no final tento descrever. 

Não importa aonde eu vá:
Na esquina ou no bar.
Não importa o que eu faça:
Mude de casa 10 vezes ao ano,
Me tranque dentro de uma gaiola
Caminhe perdido por ai,
Ou ligue pra dizer que sinto sua falta.
Estou deitado em um belo gramado
Tentando esconder que é sempre você.