terça-feira, 20 de maio de 2014

No final é sempre a mesma coisa.


No final é sempre a mesma coisa.
A historinha acaba sempre do mesmo jeito…
Sapatinho branco em todos cai bem...
Vai ver é assim mesmo.

Conheci Arlene em uma dessas festas no qual não fui o centro da atenção, mas tava no apoio.
Estava me desdobrando entre piadas, risadas e estórias.
Quem estava lá ouviu o caso da cadela cega que sempre caia na vala quando ouvia passos de gente.
Estava pátio fumando um cigarro quando ela me cumprimentou.
Nos apresentamos e ela disse que já me conhecia, já tinha ouvido falar de mim.
Minha fama chega sempre antes de mim.

Disse que acompanhava o meu blog e meus zines e gostava do que lia. Disse também que eu precisava mudar de vida ou algo do tipo.
Coitada.
Mal sabia ela.
Quem nasce rei nunca perde a majestade.
Quero distancia dessa gente meio Deus. Que fica tentando te moldar. Mas eu queria ver até onde aquilo ia chegar.
- Posso te sugerir uma coisa? – continuou ela.
- Pode! –respondi. 
Ela me deu um beijo e eu retribuí.
- Quero que você escreva sobre mim. –disse ela
- Mal te conheço, mas tem atitude. Gosto de mulheres assim.
- Entendo. Isso faz com que você não precise lutar contra a timidez pra chegar numa garota.

Até hoje desconfio que ela faça parte da laia do Dr. Ab, ou então ela andou fazendo o dever de casa através do que escrevo. Pensei. Bem, se ela me conhecia tão bem, então sabia que havia um risco de eu ligar pra ela no outro dia se tudo saísse bem.
- Vamos voltar lá pra dentro. Eles parecem divertidos.
- Oh, sim. Vamos. –disse eu com um ar de tédio.

                Entramos e nos separamos, fui logo à mesa encher meu copo. Vodka seguido de um vinho e por fim a cerveja. Estavam todos dançando. Poucas horas depois todos estavam bêbados. Inclusive Arlene e eu, quando ela me puxou, começamos a nos beijar e a nos acariciar e a nos tocar. Joguei-a no sofá e fui pra cima. Estava com uma blusa de botão e ela foi desabotoando. A intenção era fazer ali mesmo. Ficamos nas preliminares por muitos minutos e todos ali dançavam e gritavam. “Ritual de acasalamento? Vai saber.” Pensei. Volta e meia alguém me puxava pelos cabelos e despejava bebida na minha boca ou me dava um trago de cigarro.

Percebi que aquilo não ia mais além, era furada e decidi parar por ali mesmo. Peguei uma cerveja abri e tomei um gole. Esse gole me fez vomitar ali perto de onde o Dudu estava desmaiado de bêbado. Fui pro pátio, tomei outro gole e acendi um cigarro. Arlene chegou segundos depois.
- Qual o teu problema, porra? –Foi me questionando muito revoltada.
- Todos, ora essa. –disse eu com uma cara de bêbado que tinha vencido o cinismo.
- Teu problema é que você não leva as coisas a serio. Por isso que vive sozinho nessa vida chula.
- Não levo uma vida chula. Quero dizer... Essa noite foi bastante chula depois que nos conhecemos.
- Por isso que tu vai morrer só.
- Óbvio. Nascemos sozinhos e morreremos sozinhos. É uma das leis básicas da vida.
- Idiota!
- Foda-se!


                Terminei a cerveja e joguei a garrafa no jardim. Entrei, peguei outra cerveja e sai sem me despedi das pessoas. Olhei a hora. Não tinha mais nada naquele horário pra mim. Segui caminhando cheguei em casa liguei a TV. Dormi. Acordei doente. O nome da doença era ressaca.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Acende um incenso, faz uma simpatia


             Lembro que na minha infância minha irmã vivia lendo as revistas do João Bidú. Às vezes ela fazia umas mandingas que aprendia com ele. Eu sempre ia espiá-la, e sempre eu era expulso, e ela nunca respondia minhas perguntas.

             A rua da minha casa não era asfaltada, mas era bem arvorada, fazendo com que a rua fosse toda sombreada e com frestas que faziam o sol penetrar.
Tive minha primeira amiga nessa mesma época e ela estudava comigo. Certo dia estávamos lanchando no playground do colégio. Eu comia uma maçã enquanto ela comia um pão com queijo. Conversávamos algo quando ela me beijou no rosto e saiu correndo. Não nos falamos pelo resto da manhã.

        Minha babá ia me buscar na escola, e nesse dia ela percebeu que eu não estava tão hiperativo e nem falando pelos cotovelos como normalmente, seguimos calado o percurso todo.
Cheguei em casa e continuei comportado e mudo. Minha mãe perguntou o que havia acontecido. Não respondi, mas minha irmã disse que era amor e contou toda a situação.
Eu nem sabia o que era amor. Na verdade até hoje não sei o que é. Mas ela disse que era por quê eu era do signo de peixes, e pisciano é propício a isso.

        No outro dia fui ao colégio, e ela estava lá com a sua mãe. A mesma veio falar comigo disse que eu era muito novo pra me apaixonar, que era pra parar de falar sobre aquelas coisas com a sua filha. Continuei sem falar com a garota na aula, eu estava quieto, quando minha babá perguntou se o amor não estava sendo correspondido e minha irmã continuou afirmando que era. Minha irmã  disse que ia ler uma simpatia do João Bidú sobre amor não correspondido e me ajudaria fazer e que tudo aquilo iria mudar. Minha babá achou genial.
No outro dia descobriram que aquilo não tinha haver com meu signo, nem com amor e nenhuma simpatia do João poderia dar jeito, pois, eu estava com catapora.
Fiquei em quarentena em casa. Nada de colégio, nada de quintal, nada de natação, bicicleta. Brincava apenas com meus irmãos dentro de casa, pois, eles já tinham pegado, então não tinha risco.

         Me recuperei um mês antes do fim do ano letivo e tudo tinha zerado entre eu e a minha amiguinha. Voltamos a ser como carne e unha, andávamos de mãos dadas, brincávamos e lanchávamos juntos. No ultimo dia de aula estava tendo reunião de pais e mestres, eu e ela estávamos sentados na escada quando dei o primeiro beijo. Na verdade ela quem me beijou.
- Tom, vou viajar. –ela disse.
- Pra onde? –perguntei.
- Vou pra fortaleza visitar meus avos. Minha mãe disse que vamos voltar pouco antes das aulas começarem. Vou sentir saudades.
- Eu também. Espero que as férias passem bem rápidas.

         As férias chegaram e me lembrava dela. Nos fim das férias eu já tinha esquecido-a. Nunca mais a vi. E nunca mais senti saudades. Acho que o nome dela era Fabiana. Não me lembro. Faz muito tempo.


sexta-feira, 9 de maio de 2014

Os Conselhos de Dr. Ab (A vida vazia II)

Eu estava em outro conflito existencial. Isso não é nenhuma novidade.
Estava arrumando o meu apto, para esquecer os problemas. Mulheres, fome, a falta de emprego, a falta de cigarro e a bebida pra me acompanhar na minha solidão.

                Meu apartamento estava um caos, parecia que eu não limpava há décadas, garrafas espalhadas, bitucas, preservativos, e até mesmo calcinhas e sutiãs que garotas que passaram pela minha vida aqueles últimos meses estavam espalhadas por toda a parte, e as cinzas manchavam o tapete. No meio daquela bagunça encontrei o cartão do Dr. Ab.

                Dr. Ab era um psicólogo do tipo anormal do ramo. Ao contrario de seus colegas de profissão, ele não era um cretino. Ele não falava o que o paciente queria ouvir, ele era um sádico derrotado, que vivia por viver. A utilma vez que eu tinha me consultado com ele foi há uns 2 ou 3 anos antes.

                Decidi ligar pra ele pra saber se ele ainda usava aquela linha. O Telefone nem chamou. Tentei o celular, que chamou por quatro ou cinco vezes e então uma voz grossa e áspera:
- Dr. Ab falando.
- Oi Dr. Queria marcar uma consulta com o senhor...
- Primeiro quem está falando? Segundo Senhor ta na casa do caralho.
- Então, aqui é o Billy. Quero marcar uma consulta contigo.
- Pode ser agora, se quiser. Estou com o tempo livre.
- Não, agora não dá. Estou envolvido  num trabalho, e pelo jeito não irei acabar antes das 22h.
- Ok garoto, então me ligue quando estiver tranquilo.
- Sim. Então ligarei.

                Desliguei o celular e voltei ao meu serviço, e, acabei organizando meu apartamento às 2 da manhã.
No outro dia acordei com o meu cel tocando.
- Alô.
- Billy Podre?
- Sou eu mesmo. Quem está falando, e o que deseja?
- Aqui é Antonio, eu estava lendo uma coluna que tu tinha no jornal aqui do Jari, e gostei do que eu li. Tenho vaga pra você como enviado especial daí de mcp. “Free lance” aceita?
- Aceitaria nem que fosse de jornaleiro.
- Ótimo, então quero que você cubra ai em Macapá as manifestações sobre o aumento da tarifa de ônibus. Receberá 50 conto por coluna.
- Por 50 conto faria do Camilo uma puta.

                Fui ao protesto cheirei meio mundo de gás, mas fiz do protesto meus 50 conto. Enquanto eu escrevia eu ia me lemrando, e me lembrava com ódio cada momento. Aquilo era passageiro, e tudo o que está na moda o brasileiro quer.
Mandei os escritos por e-mail na mesma noite, e no outro dia fui ao banco e tinha 100 conto na minha conta. Liguei pro Dr. Ab, e marquei a consulta pro outro dia às 9 da manhã,

                Cheguei meia hora antes do horário marcado, o prédio era o mesmo. Fui à padaria da frente pedi um café, só que o local estava tão lotado que eu acabei deixando o café pela metade. Fiquei perambulando pela redondeza enquanto fumava um cigarro. Deu o horário e eu fui entrando. Falei com a recepcionista e ela disse que a sala era a mesma. Cheguei ao local e bati na porta.
- Entre! –disse ele com um tom autoritário.
- Bom dia doutor.
Não sei o que tem de bom. A vagabunda da minha secretaria pediu as contas e agora estou aqui até o rabo de serviços pra fazer. Puta, ordinária, preguiçosa! Você acredita que aquela chupadora me chamou de velho explorador,antiético e mão de vaca?
- Acredito Doutor.
- Cuzeira do caralho! Ajudei ela dando a porra desse emprego... A única coisa que ela tinha de fazer era atender a porra do telefone, anotar os recados e agendar os horários. Você garoto?
- O que tem eu? –perguntei.
- não ta precisando de emprego?
- Sim, mas creio que não é cabível eu trabalhar de secretario. Não me dou bem com outras pessoas.
-Então você é dos meus. Vamos para a outra sala, que essa sala de espera está me dando mais raiva.
(...)

- Então Billy, não me é estranho.
- Bem, da ultima vez que vim aqui bebericamos enquanto eu falava das minhas frustrações.
- Hm... E agora qual é o seu problema?
- Me sinto à margem de tudo. Não paro em emprego nenhum. Não passo mais de 3 meses com uma garota. Não passo mais de 3 meses em um lugar fixo.
- Quem é você?
- Já disse meu nome doutor. Meu nome é Billy.
- Não! Esse é o seu nome.
- Estou estudando, tenho uma banda, escrevo pra um jornal e desenho.
- Não! Isso é o que você faz.
- Sou o melhor! O mais foda! Odeio tudo e todos, não pego a nada.
- Deixe de ser idiota! Isso é o que você pensa. Você não é porra nenhuma do que disse. Nada disso faz a sua essência. Isso é apenas uma complementação...

                Ele me oferece um copo de Whisky. E eu continuando olhando pro seu bigode estilo mongol se movendo  enquanto fala. Seu olhar de mal-humor me encarando. Seus moletes se fora, ele envelheceu uns 10 anos nestes últimos anos. Ele encheu o copo dele.

- Bem, garoto. Vou acabar com esse teu papo de conflito existencial. Continua levando a merda da sua vida do mesmo jeito, só mude um pouco a tua rotina. Você é casado?
- Não!

- Então! Casasse, tenha filhos, e sustente todos eles, e então você irá se foder tranqüilo. Porra de crisinhas de merda. Isso é coisa de gente babaca, além de tão humano. Vá encher a cara, vá atrás de um rabo de saia e esqueça essa merda toda.

Outro caso envolvendo Dr. Ab: http://expulsodobar.blogspot.com.br/2010/09/vida-vazia.html